terça-feira, 9 de novembro de 2010

MATURIDADE

Ressaca no Bar Gaivota: recomeço.


Em 1975 começaram a surgir os primeiros concorrentes, uma senhora que vendia pipoca instalou, com autorização de Romeu, uma barraquinha ao lado do restaurante. Com o passar dos anos, esta barraquinha se tornou uma casinha em cima de uma carroça puxada por cavalo, onde já vendiam milho, refrigerante e pasteis. Em 1980, já eram em torno de 20 barracas aglutinadas ao redor do bar.


Para não perder espaço de mercado com essas barracas, Índio José, já no período da passagem do bastão, começou a implementar novos produtos, tais como os industrializados, salgadinho, bolachas, além de pratos diferenciados feitos no bar, como por exemplo, torradas e hambúrgueres.


Em 1986, quando assumiu a gerencia do bar, Índio José teve alguns desafios, entre eles, a perda do pai e fundador Romeu, além de uma ressaca que destruiu o bar, deixando apenas os pilares e o telhado da casa. Índio José, teve de recomeçar tudo de novo.


Durante os feriados, Índio José aproveitou para levantar dinheiro e através do lucro, pode concluir a obra de reconstrução.


Em 1989, mesmo com o nascimento de Indiel em agosto, não foi impedimento para Jalva, companheira de Índio, ir para o bar no feriado de 7 de setembro e, com Indiel amarrada ao seu colo, produzir os lanches que eram pedidos no bar.


Em 1993, com a praia pavimentada, começaram a acontecer eventos como shows na beira da praia, além da inauguração de uma danceteria próxima ao bar no mesmo ano, aumentando o movimento do lugar. Devido ao movimento, o bar mudou seu perfil para restaurante, servindo pratos À la carte e À la minutas.


Os públicos foram se modificando da época de Romeu para a atual. Hoje, pela manhã, atende-se mais ao publico da terceira idade que caminham na beira da praia e consomem água de coco e milho verde. Entre dez da manhã e quatro da tarde, são famílias que consomem lanches e bebidas variadas e, ao meio-dia, vendem-se almoços.


O bar só encerra suas atividades após todos os clientes irem embora e o movimento baixar. Em épocas festivas, o bar fica aberto 24 horas, encerrando suas atividades apenas quando acabam os eventos.


Um dos problemas encontrados por Índio José com o crescimento de Tramandaí, foi o surgimento de bares como o dele ao longo da orla, porém ilegais. Para isso, Índio começou a utilizar uma tática diferente do pai, aplicando preços mais altos, e lucrando 100% nas vendas (Romeu preferia vender muito, por preço baixo). Reduzindo também o número de funcionários que na época do fundador era de 15, passou-se para 7 o número de contratados.
A concorrência, atualmente, gira em torno de 200 quiosques na beira da praia, todos ilegais e sem vistoria de agentes da saúde, juntando roedores e insetos, sem água encanada, nem ligação com esgoto.

O Bar Gaivota é o único estabelecimento legalizado, dentro das normas e exigências da saúde, pagando impostos e sendo o único com autorização e licença no Patrimônio da União para trabalhar em orla de Marinha.


Os quiosques que eram de palha e madeira, subiram para o calçadão, recebendo água tratada e esgoto encanado através de parceria com a Coca-cola. Porém, continuam sem autorização da União e da Marinha, bem como prosseguem sem vistorias da vigilância sanitária.


Para compensar a concorrência e as taxas e impostos pagos, o Bar Gaivota obriga-se a praticar preços altos, sendo que quem sente no bolso é o veranista, que paga mais para ter um alimento de melhor qualidade e segurança.


Hoje, mudou também o critério de admissão. Alem de Jalva, trabalham a filha Indiel, e o genro Daniel. Há também o caseiro e sua esposa como colaboradores fixos. No verão, Índio José contrata no máximo um garçom e uma pessoa para a limpeza. Por se tratar de apenas 3 meses de maior movimento, Índio José contrata por um mês e meio os funcionários, pois segundo seu relato, as pessoas perdem a motivação com o trabalho. “Não é como uma fábrica que se pode estocar produto, o serviço é a hora da verdade. Atende, ou perde cliente.” Relata Índio José.


Cada pessoa dentro do bar é uma célula que pode atuar em todas as áreas. Para motivar os colaboradores fixos do bar, Índio José começou a prestar outros serviços no bar, colocando cada pessoa como responsável por cada área: Jalva é responsável pelo aluguel de cadeiras e guarda-sol, o caseiro e sua esposa cuidam do guarda-volumes e, por fim, Indiel, que expandiu o negócio junto ao restaurante, abrindo uma sorveteria, em 1999. Inicialmente, o negócio de sorvetes foi feito com uma sócia que trazia sorvete caseiro da serra gaúcha, e depois sozinha, onde atualmente tem parcerias com Kibon e Nestlé no fornecimento de sorvetes para a venda na beira da praia.


O bar tem hoje 144m², sendo um estabelecimento de pequeno porte. A gestão é feita de acordo com a experiência de Índio José e os aprendizados da filha, Indiel, que cursa Administração de Empresa pela PUCRS.


O Bar Gaivota participa de eventos particulares da cidade, sendo que a divulgação do bar é feita no boca a boca e pelo jornal local. Já teve também reportagem publicada sobre o bar na Zero Hora e Correio do Povo.


Os equipamentos do bar são trocados praticamente todos os anos, devido à corrosão pela maresia. O que se mantém desde a época do fundador é uma câmara fria, construída pelo próprio Romeu, feita de alumínio, a qual é restaurada todos os anos e serve de dispensa, pois já não funciona mais.

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