terça-feira, 9 de novembro de 2010

BEM-VINDO!

APRESENTAÇÃO

Este trabalho tem por objetivo analisar e aplicar conceitos aprendidos na disciplina de Gestão da Empresa Familiar em um real empreendimento de família: o Bar Gaivota, pertencente à família de um dos alunos que compõem este grupo de trabalho. Para tanto, nos utilizaremos do Modelo dos Três Círculos, uma ferramenta bastante efetiva na análise das empresas familiares por sua praticidade na visualização e no entendimento dos processos através de seus eixos principais (Família/ Empresa/Propriedade). Estes eixos ilustram as várias fases da empresa, identificando seus períodos de crise familiar e pontuando possíveis soluções e/ou prevenções, e ampliando a visão da própria empresa quanto ao seu futuro.

Além deste modelo idealizado por Gersick et al. (1998), o trabalho se utilizará também do esboço de um Acordo Societário, que visa apontar diretrizes e servir de guia para o comportamento e a boa relação entre os sócios, os funcionários e a família.

INTRODUÇÃO

É inegável o papel da empresa familiar como um dos pilares da economia como a conhecemos hoje e, sendo assim, de igual importância é o estudo que se faz deste conceito de empresa tão presente no dia-a-dia de grande parte das pessoas. Muito mais do que se conscientizar da importância das empresas familiares no mercado, é preciso entender seus mecanismos, suas nuances, para que possamos usufruir de seu potencial econômico junto à sociedade.

Com tal pensamento, este trabalho visa explanar o conceito do Modelo dos Três Círculos e aplicá-lo junto à empresa Bar e Restaurante Beira Mar, mais conhecido como o Bar Gaivota, empreendimento que, atualmente, se encontra em sua 2ª geração. Além da implementação deste modelo de trabalho, pretendemos ponderar sobre os benefícios da utilização de um acordo societário por parte da empresa.

DADOS GERAIS DA EMPRESA


Nome: Bar e Restaurante Beira Mar LTDA.

Nome Fantasia: Bar Gaivota.


Fundador: Romeu.


Formação Societária: Índio José (sócio A) e Jalva (sócio B).


Setor Econômico: Prestação de Serviços no ramo alimentício.


Principais Produtos: Pratos À la Carte, À la Minutas e lanches.


Principais Serviços: Guarda Volumes, Aluguel de cadeiras de praia e guarda-sóis.

ANTECEDENTES

O principal motivo que levou o fundador a iniciar o negócio foi a perspectiva de ter um bar na beira da praia, em um local onde – no verão – daria mais resultados que os negócios que possuía em Porto Alegre, visto que existia uma queda nas vendas devido as férias de verão. Entretanto, o que motivou Índio José a dar continuidade no negócio foi a perspectiva de trabalhar sendo dono e não empregado, como era na época da transição.

O MODELO DOS TRÊS CÍRCULOS NO BAR GAIVOTA

EIXO FAMÍLIA E SEUS ELEMENTOS

Romeu: fundador do Bar Gaivota


Neste tópico se procura explanar a respeito da movimentação inicial, da busca pela oportunidade de independência, as escolhas e decisões para um crescimento pessoal e profissional, assim como a mudança nos relacionamentos familiares. Mostra também um estágio de amadurecimento, onde há mudanças na gestão dos negócios, assim como o papel dos filhos dentro do negócio, sua importância e suas participações.

É abordado neste tópico também como se deu o trabalho conjunto e quem realmente fez parte deste estágio. Mostra que aquele que realmente esteve sempre junto ao negócio, como braço direito e futuro sucessor, é o que continuou presente neste estágio.

Além de apresentar como se deu a passagem do bastão (apesar deste estágio ter ocorrido de forma amena após a morte do sucessor), este tópico mostra os desentendimentos de família que surgiram devido a necessidade de outros membros não atuantes na empresa obterem vantagens financeiras sobre os bens do fundador.

JOVEM FAMÍLIA EMPRESÁRIA

A família do fundador tem origem em Cachoeira do Sul, na Região do Bosque. Os pais do fundador, o casal Ramiro e Brendina, tiveram dezesseis filhos, sendo que um deles, Romeu, cansou-se de trabalhar no campo para seu pai, sem direito a educação, remuneração ou reconhecimento, e foi embora para Porto Alegre. Na capital, aprendeu a ler e escrever, trabalhou no porto como estivador e – através deste emprego – conseguiu juntar dinheiro para abrir seu primeiro negócio. Em 1940, abriu uma lavanderia e, três anos depois, abriu um bar, e foi quando percebeu que se identificava mais com este ramo de negócios. Com a expansão do bar, abriu também uma padaria e armazém.

Em 1940, Romeu teve seu primeiro filho, Celso. Nos anos seguintes, o fundador teve muitas esposas e filhos com cada uma delas, em um total de oito filhos, sendo que elas e eles sempre o ajudaram a tocar o negócio, em uma prática que reprisou o mesmo modelo de educação que Romeu recebera na infância. Esta atitude acabou fazendo com que, aos poucos, seus filhos se afastassem do negócio e buscassem outras áreas de crescimento.

Em 1963, Índio José – o filho mais jovem e único que ficou efetivamente junto ao fundador – já fazia as tarefas dos outros irmãos antes mesmo desses deixarem o negócio e, com o excesso de trabalho demandado, ele se tornou o braço direito do de Romeu.

Conforme relata Índio José: “No início foi difícil me adaptar pois eu era uma criança, tinha a minha parte do serviço e ainda realizava as tarefas dos meus irmãos.”

ENTRADA NA EMPRESA

Em 1963, o fundador comprou de um cunhado o ponto do Bar Gaivota na beira da praia de Tramandaí. Embora o filho Tibúrcio tenha ajudado o pai nas temporadas de 1974 e 1975 e Celso tenha auxiliado em alguns finais de semana da temporada de 1982, Índio José foi quem sempre esteve ao lado de Romeu, desde 1963.

Em 1978, Índio José resolveu trabalhar fora dos negócios da família em uma empresa de processamento de dados. Entretanto, no verão, ele conciliava o bar com este novo emprego. Isso ocorreu durante dez anos.

Em 1980, Índio José casou-se com Jussara, que trabalhava em um banco em Porto Alegre e se negava a ajudar no negócio do sogro e do esposo. Após quatro anos, Índio José rompeu o relacionamento que já estava conturbado. Um tempo depois, ele começou a namorar Jalva, com a qual tiverem, em 1989, sua primeira e única filha, Indiel.

TRABALHO CONJUNTO

O fundador sempre estava presente no Bar Gaivota, nas temporadas, junto com o seu braço direito, Índio José, sendo que, no período de transição (da passagem do bastão) sua esposa Jalva também estava presente. Após o falecimento de Romeu, o trabalho continuou entre Índio José e Jalva que, em 1989, mesmo após o nascimento de Indiel, não abandonou o trabalho.

PASSAGEM DO BASTÃO

Em 1984, o fundador já estava cansado do negócio e decidiu que venderia o bar. Entretanto, Índio José o impediu, alegando que tinha interesse em continuar o negócio. Então Romeu aceitou a solicitação do filho e buscou ajuda de um advogado para passar toda a documentação do bar para ele de forma legal. Um dos motivos da preocupação em ser legalmente registrado como dono do bar, era o fato de que Índio tinha muitos irmãos e, com certeza, quando a morte do fundador viesse a ocorrer, geraria brigas entre eles. Legalmente, quem ficou como proprietário do bar foi Jalva, que na época era namorada de Índio José. Esta, por sua vez, acabou por se tornar a primeira mulher a trabalhar no bar, pois o fundador nunca permitiu que as esposas dos filhos ou as funcionárias trabalhassem dentro do bar, somente na área da cozinha.

EIXO EMPRESA E SEUS ELEMENTOS

Aqui são abordadas as primeiras oportunidades obtidas pelo fundador, os desafios e as mudanças que ele enfrentou: desde mudanças de comportamento dos consumidores, até o crescimento da população. Além das modificações necessárias para se manter no mercado e a necessidade da reciclagem com a chegada de um período de baixa nos lucros e estagnação.

INÍCIO


Primeiramente, o fundador abriu uma lavanderia. Em seguida, com a oportunidade identificada e o dinheiro economizado com a lavanderia, abriu um bar e, logo mais, um armazém. Percebendo uma maior identificação com o bar que abriu, percebeu que aquela era a área que mais lhe atraía para empreender e trabalhar.

EXPANSÃO/FORMALIZAÇÃO

Aborda as influências que alteraram consequentemente o negócio, além de mostrar as oportunidades que o fundador obteve em sua jornada. Surgindo a oportunidade de comprar o Bar Gaivota, Romeu não perdeu a chance e colocou todo o seu investimento, força e energia neste seu novo empreendimento.

O fundador sempre teve sua própria produção alimentícia para o bar, sem investir em industrializados. Ele tinha a opinião de que um produto artesanal de qualidade trazia uma maior lucratividade.

No período da manhã, o bar atendia mais senhoras casadas e suas famílias, normalmente pessoas caucasianas, geralmente donas de casas que consumiam em geral água mineral e pastel. À tarde, o público era em geral afro-descendente, normalmente empregados das famílias da região, que consumiam mais cerveja e batata frita.


Surgiram muitas oportunidades e ameaças para o Bar Gaivota. Em 1975, começaram a surgir os primeiros concorrentes que vendiam milho em seus carrinhos.

A movimentação financeira era alta, pois eram os únicos estabelecimentos para alimentação em toda região da orla da praia de Tramandaí. O movimento se concentrava no Bar Gaivota. O fundador aplicava preços para ter um lucro de 10% sobre o valor dos produtos que vendia (apenas de cerveja eram em torno de 200 caixas por dia).

Além dos filhos, o fundador contratava pessoas que já trabalhavam nos negócios de Porto Alegre, além de amigos necessitados, para trabalhar com ele. Cada um dos funcionários tinha um quarto em cima do bar. Romeu, colocava os filhos para atenderem no balcão e os funcionários na limpeza e organização do bar. A esposa e as filhas, quando iam visitar, ficavam na cozinha. O fundador ficava na famosa mesa da caipira onde fazia os coquetéis e cuidava do caixa.

MATURIDADE

Ressaca no Bar Gaivota: recomeço.


Em 1975 começaram a surgir os primeiros concorrentes, uma senhora que vendia pipoca instalou, com autorização de Romeu, uma barraquinha ao lado do restaurante. Com o passar dos anos, esta barraquinha se tornou uma casinha em cima de uma carroça puxada por cavalo, onde já vendiam milho, refrigerante e pasteis. Em 1980, já eram em torno de 20 barracas aglutinadas ao redor do bar.


Para não perder espaço de mercado com essas barracas, Índio José, já no período da passagem do bastão, começou a implementar novos produtos, tais como os industrializados, salgadinho, bolachas, além de pratos diferenciados feitos no bar, como por exemplo, torradas e hambúrgueres.


Em 1986, quando assumiu a gerencia do bar, Índio José teve alguns desafios, entre eles, a perda do pai e fundador Romeu, além de uma ressaca que destruiu o bar, deixando apenas os pilares e o telhado da casa. Índio José, teve de recomeçar tudo de novo.


Durante os feriados, Índio José aproveitou para levantar dinheiro e através do lucro, pode concluir a obra de reconstrução.


Em 1989, mesmo com o nascimento de Indiel em agosto, não foi impedimento para Jalva, companheira de Índio, ir para o bar no feriado de 7 de setembro e, com Indiel amarrada ao seu colo, produzir os lanches que eram pedidos no bar.


Em 1993, com a praia pavimentada, começaram a acontecer eventos como shows na beira da praia, além da inauguração de uma danceteria próxima ao bar no mesmo ano, aumentando o movimento do lugar. Devido ao movimento, o bar mudou seu perfil para restaurante, servindo pratos À la carte e À la minutas.


Os públicos foram se modificando da época de Romeu para a atual. Hoje, pela manhã, atende-se mais ao publico da terceira idade que caminham na beira da praia e consomem água de coco e milho verde. Entre dez da manhã e quatro da tarde, são famílias que consomem lanches e bebidas variadas e, ao meio-dia, vendem-se almoços.


O bar só encerra suas atividades após todos os clientes irem embora e o movimento baixar. Em épocas festivas, o bar fica aberto 24 horas, encerrando suas atividades apenas quando acabam os eventos.


Um dos problemas encontrados por Índio José com o crescimento de Tramandaí, foi o surgimento de bares como o dele ao longo da orla, porém ilegais. Para isso, Índio começou a utilizar uma tática diferente do pai, aplicando preços mais altos, e lucrando 100% nas vendas (Romeu preferia vender muito, por preço baixo). Reduzindo também o número de funcionários que na época do fundador era de 15, passou-se para 7 o número de contratados.
A concorrência, atualmente, gira em torno de 200 quiosques na beira da praia, todos ilegais e sem vistoria de agentes da saúde, juntando roedores e insetos, sem água encanada, nem ligação com esgoto.

O Bar Gaivota é o único estabelecimento legalizado, dentro das normas e exigências da saúde, pagando impostos e sendo o único com autorização e licença no Patrimônio da União para trabalhar em orla de Marinha.


Os quiosques que eram de palha e madeira, subiram para o calçadão, recebendo água tratada e esgoto encanado através de parceria com a Coca-cola. Porém, continuam sem autorização da União e da Marinha, bem como prosseguem sem vistorias da vigilância sanitária.


Para compensar a concorrência e as taxas e impostos pagos, o Bar Gaivota obriga-se a praticar preços altos, sendo que quem sente no bolso é o veranista, que paga mais para ter um alimento de melhor qualidade e segurança.


Hoje, mudou também o critério de admissão. Alem de Jalva, trabalham a filha Indiel, e o genro Daniel. Há também o caseiro e sua esposa como colaboradores fixos. No verão, Índio José contrata no máximo um garçom e uma pessoa para a limpeza. Por se tratar de apenas 3 meses de maior movimento, Índio José contrata por um mês e meio os funcionários, pois segundo seu relato, as pessoas perdem a motivação com o trabalho. “Não é como uma fábrica que se pode estocar produto, o serviço é a hora da verdade. Atende, ou perde cliente.” Relata Índio José.


Cada pessoa dentro do bar é uma célula que pode atuar em todas as áreas. Para motivar os colaboradores fixos do bar, Índio José começou a prestar outros serviços no bar, colocando cada pessoa como responsável por cada área: Jalva é responsável pelo aluguel de cadeiras e guarda-sol, o caseiro e sua esposa cuidam do guarda-volumes e, por fim, Indiel, que expandiu o negócio junto ao restaurante, abrindo uma sorveteria, em 1999. Inicialmente, o negócio de sorvetes foi feito com uma sócia que trazia sorvete caseiro da serra gaúcha, e depois sozinha, onde atualmente tem parcerias com Kibon e Nestlé no fornecimento de sorvetes para a venda na beira da praia.


O bar tem hoje 144m², sendo um estabelecimento de pequeno porte. A gestão é feita de acordo com a experiência de Índio José e os aprendizados da filha, Indiel, que cursa Administração de Empresa pela PUCRS.


O Bar Gaivota participa de eventos particulares da cidade, sendo que a divulgação do bar é feita no boca a boca e pelo jornal local. Já teve também reportagem publicada sobre o bar na Zero Hora e Correio do Povo.


Os equipamentos do bar são trocados praticamente todos os anos, devido à corrosão pela maresia. O que se mantém desde a época do fundador é uma câmara fria, construída pelo próprio Romeu, feita de alumínio, a qual é restaurada todos os anos e serve de dispensa, pois já não funciona mais.

EIXO PROPRIEDADE E SEUS DEPENDENTES

Antes do Fundador: José Brás (cunhado do fundador) e José Francisco eram sócios do Bar Gaivota, e Romeu era o locatário do Bar apenas nos meses de verão. Em 1962, José Brás e José Francisco desfizeram a sociedade, sendo que José Francisco chamou Romeu para ser sócio. Na temporada do ano seguinte, por ter entrado por último nos negócios do bar, Romeu decidiu deixar o comando do lugar nas mãos de José Francisco, que nunca havia trabalhado no bar. Sem experiência, José Francisco fechou o Gaivota por 15 dias e acabou vendendo a sua parte para Romeu, que passou a ser o único dono do estabelecimento.

Esta situação de dono único permaneceu entre 1963 e 1982 sendo que, em 1984, o fundador, já cansado dos negócios, passou a propriedade a seu filho Índio José, que ao lado da esposa Jalva, mantém o Bar Gaivota até os dias de hoje.

SOCIEDADE ENTRE IRMÃOS

Formada por irmãos, quase todas estão em sua segunda geração familiar ou além, em média elas sobrevivem mais tempo e cresceram mais do que as empresas no estágio de Proprietário Controlador.

Atualmente o Bar Gaivota não possui este estágio, pois o casal Índio José e Jalva são os proprietários controladores e ambos têm apenas uma filha.

PROPRIETÁRIO CONTROLADOR

Mostra neste capítulo, quem foi no passado e quem são hoje os proprietários controladores da empresa.

Entre 1953 e 1962, os proprietários controladores eram José Francisco e José Brás. No ano de
1963, a propriedade passou a ser de Romeu, que a controlou até 1982.

Ainda em 1982, Romeu passou o Bar Gaivota para seu filho Índio José e sua nora Jalva. O casal é proprietário controlador do Bar Gaivota até hoje.

CONSÓRCIO DE PRIMOS

O controle da empresa é exercido por muitos primos de diferentes ramos da família. Normalmente são necessárias três gerações para que uma empresa atinja este estágio na propriedade. Assim, os Consórcios de Primos tendem a ser empresas maiores e mais complexas que os outros dois tipos.

O Bar Gaivota não possui critérios para poder se enquadrar neste tipo de enfoque, portanto não sendo possível ao grupo trabalharmos esse estágio pela falta de informação.

RESULTADOS DO HDV


Conforme o gráfico, os resultados do HDV mostram que grande parte das questões abordadas são de fato impulsionadoras para o atual gestor do Bar Gaivota. Pode-se constatar que se fosse para abrir o negócio hoje, ele sem dúvidas abriria. Ainda relata Índio José: “se não houvesse a oportunidade deste, com certeza outro bar ele abriria, pois já tive outros negócios os quais estavam negativos e consegui fazer com que alavancassem.” Importante ressaltar que um número significativo foi exposto com relação à questões restritivas, porém estas não mudariam a opinião de Índio José quanto aos negócios atuais.

MISSÃO DO BAR GAIVOTA

"Servir com qualidade e presteza, visando, acima de tudo, a satisfação do cliente e a valorização da empresa, de seus sócios, e de seus funcionários."

CRITÉRIOS DE ENTRADA

Os membros da família serão analisados mediante relatório do gerente, e as contratações serão aprovadas pelo(s) sócio(s) majoritário(s):

  • Para funções de auxílio, as quais se compõe por auxiliar de limpeza, de cozinha, administrativo e outros cargos agregados a funções seniores, os requisitos são: idade mínima de 18 anos; experiência de trabalho mínima de 01 (um) ano em outra(s) empresa(s); ensino Médio completo.

  • Para funções de cozinhas, as quais são integradas por cargos de preparador, cozinheiro, sub-chefe e cozinheiro chefe, os requisitos são: idade mínima de 21 anos; experiência de trabalho mínima de 02 (dois) anos em outra(s) empresa(s), de 01 (um) ano no cargo pretendido e Ensino Médio completo.

  • Para funções de atendimento, as quais são compostas por cargos de garçom, recepcionista e balconista, os requisitos são: idade mínina de 21 anos, experiência de trabalho de mínimo de 02 (dois) anos em outra(s) empresa(s), de 1 (um) ano no cargo pretendido e Ensino Médio completo.

  • Para funções administrativas e de gerência, as quais compreendem-se cargos administrativos, de gerência, sub-gerente e demais cargos do setor administrativo da empresa. Os requisitos são: idade mínima de 25 anos; Experiência de trabalho mínima de 03 (três) anos em outra(s) empresa(s), e de 2 (dois) anos no cargo pretendido; graduação em administração, contabilidade e/ou economia.

  • Para todas as funções descritas acima é possível contrato de experiência por prazo determinado entre as partes, desde que não superior a 90 dias, para ciência de que o empregado tem aptidão para exercer função para a qual será contratado.

  • Esta empresa, bem como o presente acordo societário segue as políticas e ditames legais preconizados pela Constituição Federal, e atende às normas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), podendo ser utilizado como meio probatório.

  • Para fins de contratação, os candidatos familiares têm a preferência para a vaga, desde que preencha todos os requisitos do cargo.

  • O familiar contratado deve dar exemplo de seu desejo pela melhoria contínua da empresa, bem como lutar pela excelência no trabalho, apresentando um diferencial competitivo no desempenho de suas atividades.

PROGRESSO

O Acordo Societário prevê as seguintes diretivas para o gerenciamento das promoções de familiares na empresa:

  • À promoção serão observados os critérios de antiguidade e merecimento, preconizados pela CLT, por análise gerencial do profissional sênior do setor, e será aprovada somente pelo(s) sócio(s) majoritário(s).

  • Membros da família não possuem qualquer preferência ao novo cargo em detrimento de um funcionário não-familiar, salvo se suas habilidades profissionais forem claramente superiores às do outro candidato, e mediante avaliação das mesmas.

SAÍDA/APOSENTADORIA

O Acordo Societário aponta os procedimentos em caso de saída voluntária, rescisão por iniciativa do empregador, aposentadoria, extinção da empresa:

  • A parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato de trabalho, deverá avisar a outra de sua decisão (CLT art 487), com antecedência mínima de 30 dias, de acordo com o que reza a Constituição brasileira de 1988 em seu artigo 7, XXI.

  • O membro da família deve, antes mesmo de entrar na empresa, se comprometer a preparar um substituto para suas funções em tempo hábil, se acaso optar pelo desligamento da empresa em algum momento.

  • Rescisão por iniciativa do empregador: é de responsabilidade do gestor ao qual o profissional se reporta. No caso do gerente ou de ser sócio em outra função, uma reunião entre os demais sócios deve definir a realocação do funcionário/sócio em outra função, ou opção por um eventual desligamento.

  • Aposentadoria: o funcionário membro da família deve preparar um substituto para suas funções em tempo hábil.

  • Extinguindo-se a empresa, sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro.

USO/ADMINISTRAÇÃO DOS BENS EM COMUM, SERVIÇOS, INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS DA EMPRESA

É proibido ao empregado familiar o uso pessoal de equipamentos, veículos, locações e recursos da empresa, bem como a utilização de pessoas ou profissionais da empresa sem atender as normas internas ou sem uma prévia autorização de um responsável.

O empregado familiar e o empregador devem responder por todos os danos de caráter patrimonial que causarem decorrentes de um fato laboral (ocorrido no ambiente ou em função do trabalho).

SUCESSÃO NA SOCIEDADE

O grupo decidiu explanar, neste trabalho, a preocupação acerca da sucessão e, principalmente, do fator de herança societária, primando por medidas que visam garantir a permanência da sociedade para os membros diretos da família:

  • A sucessão se reserva aos membros diretos da família, sendo que é da responsabilidade dos sócios o planejamento antecipado e a implementação harmoniosa do processo.

  • Para fazer parte da sociedade, aos funcionários familiares faz-se necessário a escolha de um dos três modelos de regime de bens em matrimônio: Regime da Comunhão Parcial de Bens, no Regime da Participação Final nos Aquestos ou no Regime da Separação Convencional de Bens.

  • Imperioso se faz a existência de Pacto-Nupcial para funcionários familiares, que adotaram um dos três modelos acima requisitados pela empresa, fundamentais para concorrência à sucessão da empresa, devendo incluir cláusula que preveja que: em caso de divórcio dos sócios ou falecimento, o cônjuge não poderá assumir cargos na companhia ou delimitar a atuação desse cônjuge para evitar impactos negativos na empresa.

  • Além de no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no Registro Público de Empresas Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade.

CONDUTA PESSOAL DOS SÓCIOS E FAMILIARES

O Acordo Societário prevê as seguintes diretrizes comportamentais aos sócios da empresa e seus familiares:

  • Devem estar comprometidos com a missão, os ideais e os valores da empresa, em desempenhar suas funções de acordo com os padrões morais, éticos e jurídicos do país;

  • Devem transmitir esses mesmos valores aos demais funcionários da empresa, aos seus clientes e fornecedores;

  • Devem respeitar e primar pela organização operacional da empresa;

  • Devem estar comprometidos com o profissionalismo e a excelência dos produtos e serviços prestados pela empresa;

  • Devem estar constantemente bem-informados sobre o ramo de negócios no qual a empresa atua;

  • Nos negócios, devem manter os interesses da empresa acima de seus interesses pessoas;

  • Devem agir com ética para com os demais funcionários da empresa, sendo reprovável a discriminação de qualquer espécie ou a mera alusão da mesma;

  • Devem proteger a integridade da empresa em qualquer círculo ao qual freqüente;

  • Devem estar comprometidos com a continuidade da empresa;

  • Ao empregado familiar que comete Ato lesivo da honra e da boa fama contra a Empresa: a pessoa jurídica fará jus à reparação patrimonial por um eventual prejuízo à sua imagem ou credibilidade no mercado, além de ser considerado justa causa para a ruptura do vínculo empregatício.

  • A divulgação não autorizada de informações cujo sigilo foi confiado ao empregado familiar (mesmo após a rescisão do vínculo empregatício) ensejará processo perante a Justiça do Trabalho.

PARECER DO GRUPO

Através da análise da empresa Bar Gaivota, tivemos a oportunidade de conhecer toda sua dinâmica, história, atuação no mercado. O mais importante a ressaltar é que nos foi propiciado a aplicação da teoria aprendida em aula ao trabalho realizado com esta empresa e isso é de vital importância para a formação dos profissionais que seremos no futuro, atuando em uma empresa familiar ou não. A partir desse trabalho obtivemos um profundo conhecimento de como funciona, na prática, o modelo dos três círculos, assim como a formação de um acordo societário.

Com uma extensa análise empírica, conseguimos atingir um nível mais alto em termos de raciocínio sobre o livro “De geração para Geração” usado como material de apoio durante o planejamento e desenvolvimento deste trabalho. Através do mesmo foi mais fácil compreender a integração familiar e de pessoal que existe por trás de uma empresa para que a mesma consiga atingir um bom desempenho e vários demonstrativos de conflitos que ocorrem durante o decorrer de sua vida, desde a abertura das portas até sua maturidade.

Temos uma certeza cada vez maior de que, para uma organização familiar prosperar, é necessário que todos respeitem suas respectivas posições no modelo dos três círculos, que é o que ocorre hoje no Bar Gaivota . Por ser uma empresa de pequeno porte na qual poucos dos colaboradores não fazem parte da família, torna-se mais fácil a aplicação deste modelo.

Durante todo o trabalho, obtivemos informações diretamente da nossa colega Indiel, futura sucessora do Bar Gaivota. Acompanhamos neste período toda movimentação, crescimento e dificuldades encontradas pela família para a chegada de uma nova temporada de veraneio.

De maneira ampla, ficamos muito satisfeitos com todas as abordagens e tópicos vistos durante este estudo e cremos que serão fundamentais no decorrer de nossas vidas profissionais, tanto como funcionários quanto como possíveis donos de empresas.

O mais interessante no presente trabalho, foi constatar a maneira que o filho do fundador, Índio José, dedicou tantos anos de sua vida para o Bar Gaivota, estando ao lado do pai desde a abertura em 1963, e deixando sua infância em segundo plano para dedicar-se no crescimento e na expansão do empreendimento. Desde então, Índio deixa explícita a vontade de ser o sucessor, tanto que, quando o seu pai resolve vender o Bar Gaivota por estar com uma certa idade e cansado deste segmento, Índio é o primeiro e único filho a impor-se contra a venda do negócio, pedindo assim que seu pai passasse o estabelecimento para seu nome (por motivos diversos da época, o Bar Gaivota foi registrado em nome de Jalva, esposa de Índio), e isso mostra que a passagem do bastão foi feita de forma natural e sem conflitos.

Devemos chamar a atenção para o fato de que todos os filhos dos sócios são questionados quando a vontade de trabalhar na empresa, sendo eles selecionados pela sua idade, preparação acadêmica, bem como por outros requisitos do código societário, algo que consideramos nobre.

VOLTE SEMPRE!

BERNHOEFT, Renato e GALLO, Miguel. Governança na empresa familiar: poder, gestão e sucessão. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.

GERSICK, Kelin, John:; HAMPTON, Marion; LANSBERG, Ivan. De Geração para Geração. Rio de Janeiro: Campos, 2006.